Blogue simples e personalizado, de conteúdo essencialmente literário, dando voz tanto a autores desconhecidos como veiculando autores célebres; com pequenos focos na música, pintura, fotografia, dança, cinema, séries, traduzindo e partilhando alguns dos meus gostos pessoais.
Sejam benvindos ao meu cantinho, ao meu mundo :)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

"Emoções à Flor da Pele "



Numa juventude louca,
Cheia de emoções,
Por vezes com muitas
Tristezas nos corações,
Fica uma realidade perdida,
Se sonhar traz felicidade
Ou me deixou esquecida
Num mundo de ilusão com
Sonhos por viver.
Esteja feliz ou contente um dia
Todos vão estar na minha frente
Será felicidade?
Quem vem dizer a verdade?


Website da imagem: artereyes.ru
Autor da imagem: Feimo

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

“Hino à Pureza de um Homem” - de Florbela de Castro




Será que consigo encontrar palavras
Para dizer que te amo?
E que te aproximas do ideal que já quis procurar?
Será que vou conseguir explicar
Que este amor é meu soberano?
E que se assemelha a um sonho
Que outrora eu quis alcançar?
És um belíssimo sol nascente!
Um amanhecer cheio de promessas!
Que o acaso cruzou com este sol, no poente
Ao qual, só lhe resta um mundo às avessas…
Nunca hei-de poder definir
O fascínio que nos teus olhos transparece!
A tua alma não pára de traduzir
A tua fome de saber, até me enternece!
Será que vou conseguir tocar
O teu coração imberbe?
E fazer-te entender que o amor
É uma dádiva realizável?...
Será que consigo penetrar onde
A minha fantasia já nem se atreve?...
E descobrir se este ideal de amor
É inexpugnável…


20/08/1997


imagem retirada da net

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“Quem Diria?...” -de Florbela de Castro



Pudera eu tocar com a mesma doçura,
A tua alma, qual leve carícia quente!
Único é o sabor dos teus lábios,
Que nos meus perdura,
Louvado seja o homem que assim beija e sente!
Reuniste onde essa candura e o ser ardente?
Alimento dos deuses, comerás tu?
Enigmático e livre espírito alado!
Estarei perto dos limites do fim do mundo?
Xadrez de emoções desorientando o meu fado!
Ante o precioso tesouro que me estendes,
Nem eu quisera outra coisa qualquer!
Decerto és uma alma irmã,
Pois compreendes-me;
Reflexo de um belo interior e de um grande querer!
Eleito pelas divindades,
Entendes o que é verdadeiro prazer!


30/08/1997


Autor da imagem: Feimo
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“O Segredo da Esfinge” - de Florbela de Castro


Porque te negas a dizer
Que me amas como eu te amo?
Essas palavras chegam aos teus lábios,
Mas morrem na tua boca…!


Porque insistes em querer sofrer
E em fazer crer que isto foi um engano?
Este amor não foi inventado só por esta cabeça louca!


Sim, eu sei, que passámos torturas no amor!
(Tenta apaziguar um pouco a tua dôr!)
Mas, pelo menos, ultrapassa as amarguras, por favor!
E permite-te mergulhar nos meus braços cheios de calor!


Como podes pedir para eu te esquecer,
Assim, de repente?
Não consigo acreditar que o meu amor
Te seja tão indiferente!
Como vou eu desistir de te ter?...
É inútil, por mais que eu tente!
Não é fácil, mas eu quero batalhar por ti, arduamente!


Sabes, que por mais que te acuse de seres o culpado,
Estarei à tua de braços abertos!
(... Deixas no teu coração um postigo entreaberto?)
Nunca te farei sofrer, disso podes estar certo!...
Por favor, pára com todo este tormento;
Eu sei que consegues ganhar um novo alento;
Dá uma chance aos nossos sentimentos!


Não receies deixar-te envolver!
Tens que aprender a cooperar!
O amor é para se viver!
Ainda tenho esperanças
Que um dia me queiras amar!


Se as minhas belas palavras
São, para ti, um massacre,
Então imagina que, com as tuas,
Até uma estátua de pedra se abate!


Bastava que quisesses e seria tua escrava!
Assim, eu tinha hipóteses de quebrar esse lacre!
O efeito que a tua indiferença produz,
Dava para eu ter um enfarte!


Sim, eu sei que a distância
É como um imenso oceano sem fim…
Mas, será isso te impede de estar junto de mim?
Isto até nem é nenhum folhetim;
Querido, não tenhas medo de apostar!
Não tenhas medo de me alcançar!
Não temas nunca o facto de te apaixonares por mim!


Se eu tenho tantos pecados,
Talvez a minha espera seja vã;
Aguardarei por um dia brilhante,
No futuro mais profundo!


Mas não há ninguém que suporte
Acordar todas as manhãs
Com a certeza que somos os únicos
Que estamos sós no mundo!


Acredita, não há nada que compense,
Um quotidiano tão monótono e desinteressante!
Pois fica-se com a sensação
Que vida passa por nós velozmente!
Parece que somos espectadores
Do destino de toda a gente…
Enquanto a nossa existência
Se tornou vazia e inquietante!
Nesse momento devias acordar
E desejar viver intensamente!


Sim, eu sei que tenho muito pouco para te oferecer!
A não ser amar-te até um de nós dois morrer…
Como poderei provar-te que é isso que vai acontecer?
Como eu gostava de poder voar!...
Como eu gostava de voar e poder,
Concretizar este amor para nenhum de nós mais sofrer!


26/05/1998

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Autor da imagem: Feimo

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“Alguém Excepcional” - de Florbela de Castro



Surgiste no meu caminho
E iluminaste a minha vida
Estremeceste todos os meus sentidos,
Sem me deixar outra saída.
Limites e receios são noções
Que vou ter de apagar.
O meu mais profundo desejo é,
Nos meus braços te poder estreitar!
Anseio amar-te livremente e,
Finalmente, viver, acordar!
Baluarte de emoções
É só uma das expressões
Para traduzir o que sinto!
Segredam-me as minhas percepções
Que este fogo não mais será extinto!
Razões tenho para encontrar em ti
Alguém excepcional!
Rios de sensações correm reciprocamente
E transformam-te no ser mais especial…
O tempo e o coração são donos do mistério
E do que se vai desenrolar!
Sou porém, tentada a admitir
Que o mais certo é eu me entregar!


03/04/1996

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Autor da imagem: Heise Jinyao

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

“Identidade Desconhecida” - de Florbela de Castro


Quem és tu?
Que me queres?
Por que me olhas assim?
Esse olhar penetrante arranca
Eróticos sentimentos adormecidos em mim!
Quem és tu?
Que me queres?
Por que me beijas assim?
A tua boca envolvente
Devora-me impiedosamente
E tinge-me a face de carmesim.
Quem és tu?
Que me queres?
Por que me tocas tão fundo?
Os teus dedos voluptuosos
Tecem carícias vívidas
Que me levam ao rubro!
Deixa-me descobrir-te!
Deixa-me desmascarar-te!
Deixa-me ver-te!
Denuncia-te! Exala os teus mais profundos sentimentos!
Não me deixes nesta espera perene
Com o sabor fugidio da dúvida…
Quem és tu?
Que me queres?
Por que me possuis deste jeito?
A tua carne invade a minha carne,
Até às entranhas
E nos píncaros ateia fogo no meu peito!
Vem!
Liberta-te!
Explode em mil confissões e desabafos!
Deixa que os teus lábios provem o fruto do amor
Deixa que a tua língua sinta o paladar do cálice da verdade!
Grita!
Chama-me!
Desnuda-te de todas as misérias e enganos!
Deixa que o teu nome ecoe nos dois hemisférios do meu cérebro!
Deixa que a tua personalidade ressoe no meu espírito!
Deixa-me alcançar-te!
Deixa-me…
Deixa-te…
E foi então que te Vi!

1989
Florbela de Castro

Autor da imagem: Josephine Wall 


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"O Irmão"

De Eras longínquas regressou o Irmão,
A caminhar pelas montanhas, bosques encontrou sua família,
Por fim sentiu-se "em casa" e abriu-se o Portão.
Humildemente majestoso viu e sentiu como seu coração se abria,
Falou às pessoas das suas viagens e criou o próprio sermão
Ensinou sentimentos, verdades, magias e sabedoria.
A fonte nunca secou e deu à Terra a sua mão*


Autor da imagem: Feimo