Blogue simples e personalizado, de conteúdo essencialmente literário, dando voz tanto a autores desconhecidos como veiculando autores célebres; com pequenos focos na música, pintura, fotografia, dança, cinema, séries, traduzindo e partilhando alguns dos meus gostos pessoais.
Sejam benvindos ao meu cantinho, ao meu mundo :)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

“Alguém Excepcional” - de Florbela de Castro



Surgiste no meu caminho
E iluminaste a minha vida
Estremeceste todos os meus sentidos,
Sem me deixar outra saída.
Limites e receios são noções
Que vou ter de apagar.
O meu mais profundo desejo é,
Nos meus braços te poder estreitar!
Anseio amar-te livremente e,
Finalmente, viver, acordar!
Baluarte de emoções
É só uma das expressões
Para traduzir o que sinto!
Segredam-me as minhas percepções
Que este fogo não mais será extinto!
Razões tenho para encontrar em ti
Alguém excepcional!
Rios de sensações correm reciprocamente
E transformam-te no ser mais especial…
O tempo e o coração são donos do mistério
E do que se vai desenrolar!
Sou porém, tentada a admitir
Que o mais certo é eu me entregar!


03/04/1996

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Autor da imagem: Heise Jinyao

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

“Identidade Desconhecida” - de Florbela de Castro


Quem és tu?
Que me queres?
Por que me olhas assim?
Esse olhar penetrante arranca
Eróticos sentimentos adormecidos em mim!
Quem és tu?
Que me queres?
Por que me beijas assim?
A tua boca envolvente
Devora-me impiedosamente
E tinge-me a face de carmesim.
Quem és tu?
Que me queres?
Por que me tocas tão fundo?
Os teus dedos voluptuosos
Tecem carícias vívidas
Que me levam ao rubro!
Deixa-me descobrir-te!
Deixa-me desmascarar-te!
Deixa-me ver-te!
Denuncia-te! Exala os teus mais profundos sentimentos!
Não me deixes nesta espera perene
Com o sabor fugidio da dúvida…
Quem és tu?
Que me queres?
Por que me possuis deste jeito?
A tua carne invade a minha carne,
Até às entranhas
E nos píncaros ateia fogo no meu peito!
Vem!
Liberta-te!
Explode em mil confissões e desabafos!
Deixa que os teus lábios provem o fruto do amor
Deixa que a tua língua sinta o paladar do cálice da verdade!
Grita!
Chama-me!
Desnuda-te de todas as misérias e enganos!
Deixa que o teu nome ecoe nos dois hemisférios do meu cérebro!
Deixa que a tua personalidade ressoe no meu espírito!
Deixa-me alcançar-te!
Deixa-me…
Deixa-te…
E foi então que te Vi!

1989
Florbela de Castro

Autor da imagem: Josephine Wall 


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"O Irmão"

De Eras longínquas regressou o Irmão,
A caminhar pelas montanhas, bosques encontrou sua família,
Por fim sentiu-se "em casa" e abriu-se o Portão.
Humildemente majestoso viu e sentiu como seu coração se abria,
Falou às pessoas das suas viagens e criou o próprio sermão
Ensinou sentimentos, verdades, magias e sabedoria.
A fonte nunca secou e deu à Terra a sua mão*


Autor da imagem: Feimo

"A Ti Amigo"



Andava perdida
No tempo e no espaço
Quando nos reencontramos
Ao fim de largos anos
Cada um com percursos de vida diferentes
Mas a amizade perdurou
Encontrei-me novamente
Só te digo isto
Obrigado AMIGO.


Autor da imagem: Heise Jinyao

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"Vida Interrompida"



Há erros incorrigíveis
Imaturos,impensados,
Muito imprevisíveis
E nunca esperados


E nessa noite fugaz
Senti-me engolida pela terra,
Impotente,incapaz
De salvar-te da morte tão severa.


E confrontada com a realidade,
Recusei perder-te
Com medo que a saudade
De mim nunca se desprendesse.


Pois tu eras criança em mim,
Confidente Eterno,
Amigo sem fim!


Olhei-te implorando
Que por ti lutasses
E no teu corpo agarrado
Rezei que não me abandonasses.


Mas o teu sangue
Já se fundia
Com a lágrima
Que por meu rosto escorria.


Tua vida de mim já fugia,
Trazendo para a minha memória
Tudo o que de ti existia.
A nossa verdadeira história!


E a força de uns braços chegou
Para de ti me arrancarem
Como se fosse possível
As minhas mãos te magoarem.


E então, meu grito
A noite rasgava
Enquanto teu soluçar
De sangue se esgotava.


Um pouco de mim
Naquele alcatrão ficou
E tudo de ti lá terminou!





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Autor da imagem: Heise Jinyao

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

"O Meu Mar"



Como é teoricamente fatal esta crise
Pela qual se atravessa agora,
Sinto que muita coisa em mim morre,
Será que haverá uma Nova Aurora?
E como são deliciosos para a Alma
Os sonhos que alimentam minha mente.
Mas são apenas sonhos nunca realizados
Pois o "arranque" é dificil na conjuntura do actualmente.


O futuro???


Assemelha-se a um Mar profundo
No qual devagar e conscientemente me afundo.
Encontro-me dividida entre a morte e a vida,
Será tudo ilusão no mundo?
Ah, Mar português, deixa-me respirar
E ter forças para nadar rumo a uma ilha ou terra,
Dá ao menos oportunidade de Vida
A esta tua amante que tanto erra.
Que o teu imenso sal se funda com o meu,
Pois quero nadar, nadar, nadar...
Não quero ser engolida por ti, oh Mar!
Meu destino traço eu
E a mim própria conquistarei a Viver a Amar!


18/09/2004



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autor da imagem: Jonathon Earl Bowser
Artwork © Jonathon Earl Bowser - www.JonathonArt.com

"The Fallen Angel" - de Florbela de Castro



I want to fly with an angel
With a gentle breeze of white
To love him during the day
And adore him in the night.
I want to fly with an angel
With a golden halo in his face
To pass through valleys and prairies
Searching… So far away, for another place.
We pray at the top of the hills
´Till our minds reach the sky
Dreaming with meadows and fields
´Till one of our bodies begins to die.
We are standing by the moonlight shadow
Breaking away a wall of silence
Singing a song of love and freedom
Waiting for the break of the dawn
-Let´s glorify the mountains of green!
We will follow the sun across the sea
And ear the waves crying with me
What kind of world we are living?
Now, I ear little birds singing songs on the trees
And there are the most beautiful flowers that I’ll never see
In this world, except for the Holy Eden
But then, I will have to fly to reach heaven…
-We shall not be haughty in this never ending sky!
I look above to the rainbow
After the first morning-twilight
But none feeling inside me will grow
´Cause there´s nothing more divine than a silvery night
So, I turned my eyes beyond the pale
And I see tiny babies, lying in cotton clouds
Waiting to tell me a tale
Speaking to me in a softly and loud tone.
Amazed, I walk but my legs turned weak
I no longer have wings and feathers I’ve to pick up
The dolphins laughed delighted
Dropping pollen from their hands
“Find the Fallen Angel!” they said, politely
And then, they began to fade away, for other lands.
I took of, all the sudden
Flying over a diamond river
Crossing the violet heaven
With my feathers trembling and shivering
I looked down to a well
Magic like one of a fairy tale
I came down as closer as I can tell
And I saw an image reflected on the water
An angel is what I saw
“Who is it?” I asked myself
Is it you?
No… it´s me.




Abril,1990

Autoria da imagem: Rowena Morrill

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