Blogue simples e personalizado, de conteúdo essencialmente literário, dando voz tanto a autores desconhecidos como veiculando autores célebres; com pequenos focos na música, pintura, fotografia, dança, cinema, séries, traduzindo e partilhando alguns dos meus gostos pessoais.
Sejam benvindos ao meu cantinho, ao meu mundo :)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

“Essência Divina” - de Florbela de Castro



Perguntei-me um dia
Se a minha existência
Só seria sofrida
E condenada à demência.
Com corpo de chumbo anos caminhei
Alma e palavras agrilhoadas
Dor lancinante
Fortalezas destruídas com um sopro
Portões férreos que se desfazem em pó…
Quis fugir pelo espelho
Mas o reflexo já não era mais meu.


Então, numa época inesperada
Uma flor no meu coração pousou
Era uma luz abençoada
Uma chuva de energias que me inundou.
Viajei pelo cosmos imenso
E desvendei o verdadeiro amor,
Intenso.
Anjos e Seres de Luz
Anunciaram-me divina,
Cresci para além da matéria
Já não sou mais pequenina.


Pode compartilhar livremente a obra desde que respeite os creditos. 
Todos os direitos reservados.Safe Creative #1404150602357


Web site desta imagem

flirp.net
Autor da imagem: Feimo


segunda-feira, 27 de julho de 2009

Mudanças de Humor



Mudanças de humor,
Odeio-as!
Fazem-me discutir
Com aqueles que amo.
Fazem-me fazer e dizer
Aquilo que não sinto.
Ora estou bem,
Ora estou mal.
Estas mudanças cansam-me,
Consomem-me,
Deixam-me sem inspiração.
Pior é que me sinto triste
Quando tudo de bom me acontece,
Quando sei que me amam
E que me apoiam.
Sinto-me negra
Quando há uma aura branca
Em meu redor.
Sinto-me vazia,
Com um grande espaço por preencher.
O estômago borbulha
E o coração acelera sem padecer.
A energia fica consumida
Como chamas ateadas.
Os sentidos não respondem
Aos apelos emitidos.
O corpo esmorece
E a alma não responde mais.
Sinto-me morta.
Ninguém me ouve,
Ninguém me sente,
Ninguém me compreende.
Não sabem o que sinto.
Dizem que é só um capricho,
Uma mania, uma maldade
Da minha parte.
Firo-os sem querer
E eles nem percebem
Que preciso deles
Quando digo que os quero
Fora da minha vida.
É uma mentira
Vivo numa mentira
Sou uma mentira
Sou apenas eu
Numa mudança de humor.
E elas são constantes.



Web site desta imagem

connect.in.com
Autor da imagem: Heise Jinyao

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Dúvidas





Jovem:
“ Que raio de sentimento é este que precisa de ser correspondido para ser belo aos olhos de todos?


Que raio de pessoas são essas que Divinizam esse sentimento como uma máxima da vida mas, na realidade, traz tudo o que há de pior em nós:
• A infelicidade;
• A dor;
• A angústia;
• A solidão;
• A tristeza;
• A insatisfação;
• A dúvida da necessidade da nossa existência.


Mas que raio! Como é que esse sentimento nos deixa assim? Aliás, como raio é que esse sentimento nasce do nada? Porque raio não o podemos excluir de nós quando queremos? Porque raio temos de permanecer com algo tão indesejado e repugnante como o amor?”


Velho:
“ Meu filho, já alguma vez sentiste vontade de amar alguém e de ter um único momento que compense toda essa repugnância?”



Web site desta imagem

nousdeux.eklablog.com
Autor da imagem: Heise Jinyao

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

"Ilha"

Com o verde em imensidão
E um areal interminável
Fez da Lua o seu coração
E do seu poder indominável.
Reinam nela animais encantados
Fadas, seres e princesas,
Ogres, elfos e cavalos alados;
Seres de todas as naturezas
E de todos os formatos.
Aqui, a paz é imprescindível
A afinidade e a sinceridade, também
A desordem é indizível,
As armas usadas para o bem.
Todas as raças se misturam
Tratam-se todos como irmanados
São os habitantes da ilha Urgzan
A ilha dos seres encantados


1ª Imagem da autoria de: Anne Stokes
www.annestokes.com


2ªimagem da autoria de: Heise Jinyao
http://www.heisejinyao.com

"Aurora?..."



Como pode aquela parte do teu coração
De pedra dura e escura,
Resistir à flor de espuma da minha água


Porque te dei os meus olhos a beber
E não te perguntei:
-Tens Sede?


Não!
Não devia ter entregue os meus
Pássaros nas tuas mãos
Para os perderes assim!


Como tu és de Água Cruel
E Fria?
Suja, talvez?..


Porque amo a Noite
Julgando ser o Dia?


05.03.1990

Web site desta imagem

danielkleiz.blogspot.com

quarta-feira, 10 de setembro de 2008



...somnium locus
qui ab filii unos otiosos inteligincia,
plus generatus per vanium minime...

(William Shakespeare/Romeu e Julieta, I.i)


Web site desta imagem

bloguedoguiih.blogspot.com

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Warrior Up,Warrior Down- de Florbela de Castro



Eu já tinha despido a armadura
Pousado a lança, e todas
As minhas armas
Fiquei estendido no solo
A agonizar com as minhas feridas
O vasto campo fértil virou
Solo estéril e poeirento.
Corpos jazem
Semeados no cinzento cenário
Estou no chão com a armadura em frangalhos.
O meu olhar turvo
Ainda vislumbra ao longe
O meu inimigo a afastar-se
Altivo e incólume.
Vou morrendo
A minha campa é o fundo do poço
O sol abandona-me
E a Noite é Fechada e sem Estrelas.
A guerra acabou.
A derrota foi fatídica.
Já não sou guerreiro,
Nem sobrevivente.
A estocada final foi lancinante
E pôs fim a uma longa e cruel tortura.
E afinal de contas, a lança que me trespassou
Eram verdades reveladas
E escondidas.
Vindas do Reino que defendia
Do Rei por quem lutei,
Do ideal que acreditei!...
Era uma armadilha...!
A minha carne inerte
Afunda-se na terra.
Acordo,
Olho para o lado
Uma luz cega-me.
É um violento sol vermelho.
Estou em pé
Surpreendido por estar
Num campo de batalha
Desconhecido
Olho para mim e envergo
Uma armadura diferente
Tenho um escudo romano
E uma espada reluzente.
Observo o meu novo rei:
Era o meu inimigo,
Aquele contra quem tanto lutei.
Tento vislumbrar então
Que identidade tem o meu inimigo;
Assombrado reconheço
Tudo aquilo pelo qual
Tanto lutei e acreditei!
Sou agora um guerreiro
Destemido
Nada disposto a ser derrotado
Nem vencido.
Vejo o Inimigo a aproximar-se
De aspecto Belo e Reluzente
Mas já não me engano mais
Porque lá no fundo
Cá dentro
Estou diferente. Indiferente!
Daquele Paraíso resplandecente
Só vou encontrar um Inferno
Que arrasa com o mais crente!
Empunho as minhas novas armas
Com orgulho e glória
E vou à luta outra vez...
Mas não pertenço a Nada
A Ninguém
Ou a lugar nenhum
Sou um forasteiro
Sim, sou um estranho
Sem lugar...


08.05.07


Imagens da autoria de Heise Jinyao

 Pode compartilhar livremente a obra desde que respeite os creditos. 
Todos os direitos reservados.Safe Creative #1404150602357